As doenças endémicas como o HIV, malária, tuberculose e cólera continuam sendo um peso para a saúde pública no país, apresentando alta incidência e prevalência, disseminando-se rapidamente causando surtos, epidémicos. Assim, de modo a reduzir o peso destas doenças foi criado o PDEGIS que tem como função integrar as actividades de pesquisa, de laboratório, de vigilância, de formação e de comunicação realizadas pelo INS na sua vertente temática.

Objectivos do Programa

Investigar, monitorar e avaliar doenças endémicas com grande impacto para a saúde pública.

Esta acção refere-se à investigação das principais infecções transmissíveis para a maior parte do território nacional. Em alinhamento a estratégia científica da instituição o PDGIS fornece suporte e orientação científica através de:

  • Realização de inquéritos de prevalência de doenças com grande impacto sanitário;
  • Implementação e monitoria de sistemas de vigilância de base sentinela e laboratorial para as principais síndromes com potencial epidémico;
  • Implementação de novas plataformas robustas de diagnóstico, pesquisa e vigilância para as principais doenças endémicas;
  • Realização de pesquisas clínico-epidemiológicas das principais condições de saúde pública que permitam identificar pontos-chave de transmissão e propagação das doenças endémicas;
  • Avaliação de novas tecnologias de saúde, incluindo vacinas, em Infecções de Transmissão Sexual (ITS), infecções urinárias, respiratórias e gastrointestinais;
  • Condução de estudos biológicos fundamentais no âmbito das doenças endémicas que permitam entender as interacções entre os agentes causadores das doenças e os hospedeiros e/ou vectores e o ambiente.

Áreas de pesquisa

  • Pesquisa Biomédica

Esta área está focada principalmente na pesquisa de base laboratorial (envolvendo também trabalho de campo) com principal atenção ao patógeno. Estas pesquisas por um lado, compreendem a pesquisa fundamental e translacional em laboratório, e por outro lado, os aspectos bio-moleculares da transmissão e da dinâmica populacional dos patógenos. Estas áreas de pesquisas são fraccionadas em cinco sub-áreas:

  1. Bacteriologia de doenças infecciosas (PB-BDE): dedica-se ao estudo em bactérias com relevância para saúde publica, sua identificação, variantes moleculares, assim como seu perfil de sensibilidade a antimicrobianos. As principais bactérias estudadas no programa de doenças endémicas incluem o Mycobacterium tuberculosis, Vibrio cholerae, Salmonella spp., Shigella spp., Escherichia coli, Streptocuccus spp., Chlamydia trachomatis, Nisseria ghonorreiae, Trichomonas vaginalis, Treponema pallidumHaemophilus influenzaeKlebsiella pneumoniae.
  2. Virologia de doenças infecciosas (PB-VDE):dedica-se a aplicar métodos de biologia celular e biologia molecular na investigação de doenças virais. Esta sub-área visa estabelecer bases científicas para a melhoria do diagnóstico, tratamento, epidemiologia e controlo de doenças virais. Os principais vírus estudados no programa de doenças endémicas incluem o vírus de imunodeficiência humana (HIV), papilomavírus humano (HPV), vírus da hepatite B (HBV), vírus da hepatite C (HCV), vírus da herpes simples (HSV), vírus sincicial respiratório (RSV), Influenza, Rotavírus, Adenovirus, Astrovirus, Sapovirus, Norovirus e o coronavírus da síndrome respiratória aguda severa tipo dois (SARS-CoV-2).
  3. Parasitologia humana (PB-PH):tem como principal foco o estudo da malária causada por Plasmodium spp, particularmente o Plasmodium falciparum.Estes estudos estão centrados na avaliação de novos métodos de diagnóstico, caracterização molecular das estirpes circulantes e sua associação com a resistência aos antimaláricos e a transmissibilidade. Esta sub-área também realiza actividades de pesquisa que visam melhorar o conhecimento de outros parasitas e fungos de grande relevância para saúde pública como, Trichomonas vaginalis, Cryptosporidium spp., Isospora cayetanensis, Cyclospora cayetanensisGiardia intestinalis, Entamoeba histolytica Cryptococcus neoformans.
  4. Imunologia de doenças infecciosas tropicais (PB-IDET):dedica-se ao estudo multidisciplinar dos processos imunológicos a nível celular, molecular e genético e suas implicações na saúde e patogénese das doenças infecciosas. Esta sub-área também se foca na interacção entre o sistema imune, a composição da microbiota humana e patogenicidade dos agentes infecciosos.
  5. Genética em epidemiologia molecular em saúde (PB-GEMS): que aplica conceitos e métodos de genética e biologia molecular ao estudo de doenças endémicas com grande relevância para saúde pública e de factores que conferem susceptibilidade ou resistência do hospedeiro a tais doenças.
  • Pesquisa Clínica

Para esta área, o hospedeiro/paciente é o principal foco da pesquisa, sendo  estes estudos a aplicação dos fundamentos científicos das pesquisas biomédicas. Os campos de pesquisa incluem avaliação de abordagens para diagnóstico, prevenção e de tratamento de doenças infecciosas com grande importância para saúde pública, em um determinado paciente. As pesquisas incluem:

  1. Ensaios clínicos terapêuticos ou profiláticos (PC-ECTP): fazem uma avaliação sistemática de produtos como vacinas, anticorpos ou medicamentos, em voluntários humanos que seguem estritamente as directrizes do método científico. O objectivo destas pesquisas é descobrir ou confirmar os efeitos e/ou identificar as reacções adversas ao produto investigado e/ou estudar a farmacocinética dos ingredientes activos, de forma a determinar sua eficácia e segurança. Os principais ensaios clínicos incluem avaliação de vacinas ou outras abordagens profiláticas para o HIV, rotavírus, pólio, HPV e SARS-CoV-2; avaliação de novas abordagens terapêuticas para TB, malária, HIV e SARS-CoV-2.
  2. Estudos observacionais do tipo coorte (PC-EOC): investigam os resultados a longo prazo na saúde de um grupo de pessoas (estudos longitudinais). Nestes estudos, os indivíduos com um ou mais perfis de exposição a doenças endémicas são seguidos para avaliar a incidência, prognóstico e causas da doença, em determinado período de tempo.
  3. Estudos observacionais do tipo caso-controlo (PC-EOCC): comparam indivíduos com uma condição de saúde conhecida, neste caso uma doença endémica, e aqueles sem ela, para entender por que alguns indivíduos ficam doentes e outros não.
  4. Estudos observacionais do tipo transversal (PC-EOT): geralmente usados para comparar grupos em um único ponto.
  • Pesquisa em Saúde Pública

Esta linha inclui estudos epidemiológicos e de controlo de doenças ao nível da população humana. Aqui são focados estudos epidemiológicos descritivos de abrangência populacional e abordagens de vigilância de doenças endémicas com grande impacto sanitário. Nesta área estão incluídos os pequenos e grandes inquéritos de prevalência das principais doenças endémicas, como o HIV, malária, tuberculose e recentemente do novo coronavírus SARS-CoV-2/COVID-19. Esta área também inclui a vigilância de base laboratorial, em postos de sentinela e de base comunitária para as principais síndromes com potencial epidémico com especial realce das infecções respiratórias agudas e diarreicas.

Parceiros

O PDEGIS estabelece parcerias com instituições nacionais e internacionais com o objetivo de fortalecer aspectos técnico-científicos do INS, através da criação de sinergias que levem a troca de experiências em pesquisa com impacto na saúde pública e desenvolvimento de capacidade. Estas parcerias não só servem para apoiar no desenvolvimento das actividades do programa como também permitem apoiar nos eixos estratégicos definidos pelo INS com principal ênfase no ensino e educação onde estudantes das universidades nacionais e técnicos de diferentes níveis aproveitam das bolsas de longo e curto prazo financiadas pelos nossos parceiros.

Abaixo alguns dos nossos parceiros:

Nacionais

  • Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM)
  • Universidade Eduardo Mondlane (UEM)
  • Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA)
  • Universidade Pedagógica (UniMaputo)
  • Universidade Lúrio (UniLúrio)
  • Universidade Rovuma (UniRovuma)
  • Elizabeth Glaser Paediatric AIDS Foundation
  • CDC Global Health – Mozambique
  • Mozambique – Clinton Health Access Initiative
  • Médicos Sem Fronteira (MSF)

Internacionais

  • Ludwig Maximilian University of Munich – (LMU), Alemanhã
  • University of Bordeaux, França
  • Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal), Espanha
  • The London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), Reino Unido
  • Institute of Tropical Medicine Antwerp (ITM), Bélgica
  • Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), Portugal
  • HIV Vaccine Trials Network (HVTN), Estados Unidos da América
  • US Military’s HIV Research Program (MHRP), Estados Unidos da América
  • Division of AIDS, NIH, Estados Unidos da América
  • Karolinska Institute, Suécia
  • The Public Health Agency of Sweden (Folkhälsomyndigheten), Suécia
  • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Brasil
  • Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Brasil